Virgin Steele – Virgin Steele [1982-2002] – Por Kataóka

Uma banda “cult” vinda dos Estados Unidos, que acabaria se tornando “a banda mais injustiçada da história do Heavy Metal”.

Sinônimo de underground e sendo “relegado” até pela própria banda, a singular história do Virgin Steele começa nesse autointitulado de 1982, lançado de forma independente e com uma produção que deixou um pouco a desejar.

A seguir, o leitor irá entender porque esse álbum não é recomendado para “virgens em Virgin Steele”.

“Danger Zone” abre o disco com uma introdução, caracterizada por os arranjos melódicos tradicionais e bem feitos de DeFeis, que são interrompidos pelos riffs de Starr, fazendo a mesma cair em um heavy tradicional que ficou imortalizado na década de 80 por bandas como Judas Priest e Iron Maiden.

Nada de outro mundo, a letra é bem típica do Virgin Steele, e não fosse aquela melodia que aparece nos 3:00, eu diria que ela é um pedacinho de toda a genialidade do Virgin Steele, algo que só faz sentido depois que você conhece os clássicos da banda.

Outra coisa marcante é a introdução “Minute in G Minor”, que mostra a forte influência da música clássica na formação de DeFeis.

Já li que “Danger Zone” foi xupada de “Sirens” do Savatage, mas sinceramente, não consegui fazer a conexão, apesar do riff ter uma levada semelhante.

A próxima, “American Girl”, é um Rock and Roll/Hard Rock em clima alto astral, como uma letra que segue a linha de várias outras como “Seventeen”, ou seja, fala de uma mulher que é objeto de desejo, e apesar do resultado não ser ruim, a partir do segundo disco as músicas em clima festivo já não apresentam a roupagem tão rock and roll, e sim mais puxadas para o Hard Rock.

Vejam bem que aqui é um momento único, da época que DeFeis ainda tentava cantar de forma “bonitinha” aqui e ali.

É interessantíssimo como talvez nenhum outro vocalista apresentou ao longo de sua carreira uma “mutação” na sua forma de cantar tão drástica e sólida como DeFeis.

A mediana “Dead End Kids” segue a linha de composição “bad boy”, e é outra galgada no Heavy Tradicional oitentista, mas que não consegue um resultado tão satisfatório como “Danger Zone”. Descartável para o padrão de qualidade que o Virgin Steele apresentaria ao longo da sua carreira, mas satisfatória para uma banda mediana.

A voz de DeFeis está meio fora de sintonia, eu diria que a banda também não me parece em total sintonia, vejam bem como a indecisão entre o rock and roll e o metal é algo gritante, e alie isso aos agudos sem nexo de DeFeis, eu particularmente acho “Dead End Kids” meio bagunçada, até o solo parece estar fora do lugar, enfim, eu diria que ela é meio que uma colcha de retalhos, ou seja: O tipo de música “não sei o que quero da vida”.

O Hard Rock da banda faz sua estreia de forma definitiva na mediana “Drive on Through”. É notável como DeFeis evoluiu com o passar dos anos, se tornando um dos melhores vocalistas da história do Heavy Metal. Todavia, nesse disco ele não apresenta uma performance que o coloque acima dos outros vocalistas da época, inclusive os seus agudos em alguns momentos soam irritantes e perdidos. Em “Drive on Through” isso é bastante acentuado. E também é nela que o baixo de Joe O’Reily se faz realmente presente…

A letra também não ajuda muito, ao que me parece é uma composição otimista, que fala que apesar dos problemas você deve seguir adiante, mas não me convenceu, versos simples demais, e ao meu ver ficou meio bobinha.

Posso dizer que ela é uma música mais dançante e com um instrumental entrosado, totalmente diferente da sua antecessora.

O refrão também tem uma presença maior, mas pra falar a verdade, essa faixa não tem nada de muito especial.

A semi balada “Still In Love With You” (que no relançamento do disco ganhou uma introdução de piano chamada “Lothlorien”) é a única balada do álbum. Belas melodias e um vocal com bastante feeling de DeFeis, acompanhado de um bonito solo, mostravam que o Virgin Steele, que até então dava a impressão de ser somente mais uma dentre várias outras bandas, e que parecia estar atirando para todos os lados, poderia ser sim, uma banda diferenciada.

DeFeis finalmente consegue se encontrar, e a banda toda, bem entrosada e decidida, consegue fazer “mágica”.

Destaque para o solo. Enfim, uma balada singela, bela e delicada.

Vale ressaltar que a letra trata de um assunto que já foi abordado dezena de vezes pela banda, e se você pegar algumas baladas sobre romance que o Virgin Steele lançou posteriormente, as letras seguem a mesma linha, basicamente falam dos mesmos clichês, mas de alguma forma diferente, enfim, são bacanas, mas repetitivas.

“Children of Storm” entra cortando todo o clima e nos apresenta um Heavy tradicionalíssimo, rápido e com uma atmosfera épica, bons riffs e solo, cozinha entrosada, e no final das contas temos aqui um dos melhores resultados da parceria DeFeis/Starr.

A letra também tem a cara do Virgin Steele, que aborda a fantasia de um ser fabuloso com características divinas.

A primeira música “marcante” da banda.

Talvez pelo refrão finalmente ter conseguido emplacar, talvez pelos riffs, ou obviamente pelo solo histórico, ou quem sabe pelos arranjos ou até mesmo pela forma cheia de vida que Joey Ayvazian conduziu as batidas, não sei ao certo, mas aqui a banda encontrou definitivamente seu som.

O primeiro hino de muitos, meus caríssimos amigos!

O Hard Rock volta a marcar presença com outra faixa em clima rock and roll descompromissado: “Pictures on You”.

Meio que um blues metalizado, marcado pelos incendiários riffs de Starr, aliados a um vocal sensacional de DeFeis, em uma época que ele abusava sem pudores de falsetes e agudos, sem medo de ser feliz!

A letra segue a mesma linha de “American Girl”.

“Pulverizer” é um solo de Jack Starr, até parece que ele sabia que só iria gravar dois discos, e resolveu incluir esse solo…

É, não deu tempo de virar guitar hero, mas pelo menos deixou sua marca registrada, apesar de que Pulverizer peca pelo exibicionismo demasiado e falta de melodia.

“Living In Sin” é mais uma faixa de metal oitentista, mediana, o único destaque é a novamente a presença do baixo de O’Reily.

Vejam como aqui os agudos de DeFeis já estão mais contidos.

O refrão é bacana, mas nada de outro mundo.

A primeira impressão que temos é que é mais uma letra fantasiosa, como no verso “Demônios angelicais tentam me enganar com as suas mentiras”, mas a meu ver, a letra é mais profunda, e trata de uma metáfora sobre uma pessoa que é atormentada por viver uma vida de pecados.

O disco é encerrado com a cadenciada “Virgin Steele”, fugindo um pouco do metal oitentista/Hard rock, e mais próximo do que a banda viria a fazer no futuro.

Eu acredito que essa música fale sobre a própria banda Virgin Steele, com toda a pompa, grandiosidade, eloqüência e glória características as composições de DeFeis.

Joey Ayvazian faz um bom trabalho na bateria, tudo é muito bem encaixado, inclusive os vocais de DeFeis, mas falta aquele feeling fora do comum, que seria característica marcante da banda.

Essa música era pra ter uma importância tremenda, pois ela simplesmente é a música com o nome da banda (!), e também do debut album, mas ela não conseguiu marcar, e tão pouco se tornou um clássico, o que é uma pena.

Para mim fica a impressão que ela é um pedaço de um épico de 10 minutos, que foi picotado em estúdio.

Eu consigo ver essa música em lançamentos posteriores do Virgin Steele, sobre novas roupagens.

Finalizando, acredito que a música “Virgin Steele” resuma bem o que é o álbum como um todo: Uma banda atirando para todos os lados em busca de uma identidade, e ainda não totalmente à vontade em ousar.

Também pesa o fato da gravação do disco ter deixado a desejar, o que é compreensível, pois o álbum foi lançado de maneira independente pela própria banda.

Se você vai apresentar o Virgin Steele para alguém, por favor, nunca comece com esse álbum. Não que ele seja ruim, longe disso, mas ele não é um disco a altura dos grandes lançamentos da época, e tão pouco representa a genialidade da banda.

No relançamento de 2002, foram incluídas as versões originais de “American Girl”, “Dead End Kids”, “Drive On Thru”, e “Living In Sin”, além das demos: “The Lesson” e “Life of Crime”.

Achei uma viagem terem incluído a demo de “Life of Crime”, visto que ela só foi lançada no segundo disco.

E para reforçar o que já foi dito, Virgin Steele 1 é um bom disco, nada mais que isso, e para quem não conhece o Virgin Steele eu não recomendo, justamente por não mostrar todo o potencial da banda, ficando no mesmo nível de vários lançamentos de bandas obscuras daquela época, ou seja, infelizmente passou despercebido.


Lista de Músicas:

1.Minuet in G Minor / Danger Zone (04:28) 8,25

2.American Girl (02:51) 7.5

3.Dead End Kids (03:25) 6,5

4.Drive on Thru (03:11) 7,5

5.Still in Love with You (06:17) 9,75

6.Children of the Storm (06:26) 10*

7.Pictures on You (03:29) 8,75

8.Pulverizer (02:10) x

9.Living in Sin (03:49) 7,75

10.Virgin Steele (04:39) 8 ,0


Nota: 8,25
Nota reavaliada: 8,5*
Estrelas: 1

Tempo total: 41:15

Escute as Músicas

Formação:

Vocal e Teclado: David Defeis
Guitarra: Jack Starr
Baixo: Joe O’Reilly
Bateria: Joey Ayvazian

Fatos e Curiosidades:

– Virgin Steele I foi gravado quase que de forma ao vivo no estúdio, tendo sido usados pouquíssimos overdubs. Toda a gravação durou uma semana (gravação + mixagem) e custou em torno de 1000 dólares.

– A banda não pretendia gravar um álbum, e sim várias demos. Essas demos foram enviados para vários fãs e fanzines, e o presidente da Shrapnel Records, Mike Varney contactou a banda para informar que a música “Children Of The Storm” iria ser incluída na coletânea “Us Metal Volume II”

– Inicialmente esse álbum foi concebido como uma produção independente, essa tiragem inicial que saiu pelo selo “Virgin Steele Records” foi de apenas 5000 cópias e acabou em semanas, e a segunda de mais 5000 também se esgotou completamente.

– É comentado que a gravadora que lançou esse disco foi a Zag Records, mas no encarte do LP original não vinha nada escrito. Ao que tudo indica, a primeira gravadora a lançar o álbum foi a Music for Nations (MFN1) na Europa em 1983 (sendo o Virgin Steele a primeira banda a assinar com o clássico selo, em 4 de fevereiro), depois a Mongol Horde em 1984 e por fim a canadense Maze Records, com uma capa alternativa.

– Na época a banda recebia várias cartas de fãs, sendo que duas merecem destaque: Uma do Queensryche e outra do Metallica

– Reza a lenda que Lars Ulrich amava “Children Of The Storm”.

– O álbum foi finalmente remasterizado e pela primeira vez lançado em CD em 2002, pela T&T / Noise / Sanctuary. A edição em CD tem no total (70:48), e contém as seguintes faixas extras:

5. Lothlorien (2:08)
12. The Lesson [demo] (5:58)
13. Life of Crime [demo] (4:29)
14. Burn The Sun [demo] (4:06)
15. American Girl [original mix] (2:52)
16. Dead End Kids [new mix] (3:28)
17. Drive On Thru [original mix] (3:12)
18. Living In Sin [original mix] (3:46)

– A imagem de uma nave com 2 guerreiros futurísticos lutando contra uma besta, tem escrito perto do bico “Virgin Steele”, e na borda esquerda, a misteriosa sigla: “M.W.A.H.M”, e pra finalizar, o segundo guerreiro é uma mulher.

– Sobre o logo da capa, em LP saiu uma primeira tentativa do nome da banda, com uma espada, já no lançamento em CD, eles colocaram o logo atual.

– A música “Children of the Storm” saiu na coletânea de 1982 “U.S. Metal Vol. II” , da Shrapnel Records.

Colabore com a banda:

https://www.facebook.com/pages/Virgin-Steele-Official/343424605669868

http://www.virgin-steele.com/merchandise.html

Créditos:
Por
Kataóka

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